Porto de Manaus é o Roadway, o porto flutuante inaugurado em 1907

De qual ponto da orla sai cada barco, quanto custa entrar no terminal, as regras de embarque de 2026 e o movimento mês a mês.

Turismo na Amazônia
21/10/2026
Cais flutuante do Porto de Manaus visto do rio Negro, com a ponte de acesso à esquerda e barcos de passageiros atracados à direita, sob céu nublado, em janeiro de 2009

O Porto de Manaus é o Roadway, o cais flutuante do Centro de Manaus (AM), na margem do rio Negro, de onde saem os barcos de linha para o Solimões, Maués, Parintins e o Pará. Ele é o ponto de embarque mais conhecido da cidade, mas não o único: as lanchas a jato e boa parte das linhas para o interior saem da orla vizinha da Manaus Moderna, e a balsa para o Careiro da Várzea (AM) sai do porto da Ceasa.

Em 2025, o Porto de Manaus registrou 76.239 passageiros da navegação regional, segundo o relatório da Superintendência de Navegação, Portos e Hidrovias do Amazonas (SNPH). Junho, mês do Festival de Parintins, teve 12.554, cerca de duas vezes e meia um mês comum. Quem embarca ali paga uma taxa de R$ 12 que já vem no bilhete e, desde abril de 2026, espera a chamada no salão do terminal antes de descer ao barco.

Para quem tem viagem marcada para o interior, saber de qual ponto da orla o barco sai poupa a manhã do embarque. Em outubro, com o rio Negro mais de 11 metros abaixo do pico de junho, a descida até o flutuante fica mais longa, e a orla da Manaus Moderna está em obra desde 30 de setembro.

O que é o Porto de Manaus

O Porto de Manaus é o porto público fluvial da capital do Amazonas, formado por um cais de alvenaria e por uma plataforma flutuante ligada a ele pela ponte que deu o nome popular ao lugar, Roadway. Segundo a história publicada pelo próprio porto, as obras começaram em 7 de outubro de 1902, tocadas pela empresa inglesa Manaos Harbour Limited no auge da borracha. A ponte flutuante do Roadway ficou pronta em 1906, o escritório da companhia em 1907, ano usado como data de inauguração, e o conjunto foi concluído por volta de 1919.

A ponte foi desenhada sobre cilindros flutuantes ligados por dobradiças de aço, e por isso sobe e desce com o rio Negro. O relato do engenheiro Olympio Leite reproduzido pelo porto descreve o efeito: na cheia, a ponte fica quase no nível do cais de alvenaria; na vazante, vira um plano inclinado. Em 2026, a régua do porto marcou 28,51 m entre 21 e 28 de junho e 17,12 m em 20 de outubro, segundo a medição diária do rio Negro. São 11,39 m de diferença, que o passageiro sente na rampa até o barco. O calendário da cheia e da seca, mês a mês, está no texto sobre a melhor época para ir a Manaus.

O porto se apresenta como o maior porto flutuante do mundo, descrição que o Ministério da Infraestrutura repetiu em 2019. Pelo cais passam barcos de passageiros e de carga para o interior, navios de cabotagem e navios de cruzeiro.

O Porto de Manaus foi privatizado?

O Porto de Manaus não foi vendido: o porto continua público, e a operação do dia a dia é privada, por arrendamento. Em 30 de julho de 2019, o governo federal assinou o convênio de delegação do Porto Organizado de Manaus ao estado do Amazonas, que desde 2014 estava com a Companhia Docas do Maranhão (Codomar). A autoridade portuária hoje é a SNPH, do governo do estado.

A área de passageiros é explorada pela Estação Hidroviária do Amazonas S.A., arrendatária da área 1 por um contrato de 2001 com aditivo de março de 2018, e é ela que publica a tabela de preços cobrados no terminal. A área 2 tem outra arrendatária, a Empresa de Revitalização do Porto de Manaus (ERPM). É essa divisão que faz o passageiro pagar a uma empresa privada a taxa de um porto público.

Quantos portos tem em Manaus?

Para quem viaja de barco, Manaus tem três pontos de embarque principais na orla: o Roadway, a Manaus Moderna e o porto da Ceasa. O Plano Mestre do Porto de Manaus, de 2013, descreve ainda terminais menores, como o de São Raimundo e o da Panair, no Educandos, e os terminais privados de carga, como Chibatão e Super Terminais, que não embarcam passageiros. O Porto de Manaus, o Roadway, é o principal deles pela estrutura, mas não pelo número de linhas.

PontoOnde ficaO que sai dali
Roadway (Porto de Manaus)Centro, Rua TaqueirinhaBarcos de linha e ferries para o Solimões, Maués, Parintins e o Pará
Manaus ModernaOrla do Centro, ao lado do Mercado Adolpho LisboaLanchas a jato e barcos de linha nos flutuantes
Porto da CeasaRio abaixo do Centro, perto do Encontro das ÁguasBalsa de veículos e passageiros para o Careiro da Várzea
Fontes: Plano Mestre do Porto de Manaus (2013), lista de linhas regulares da SNPH (2026) e Arsepam, citada pela Rádio Rio Mar em 24/02/2026.

A Manaus Moderna é um conjunto de flutuantes encostados na orla, ao lado do mercado. O Plano Mestre contava 5 atracadouros ali e atribuía a eles cerca de 60% das linhas intermunicipais com origem em Manaus. É também onde fica o Terminal A Jato, das lanchas rápidas credenciadas pela Arsepam, como mostra o guia do transporte fluvial no Amazonas. Em 30 de setembro de 2026 começaram as obras do novo porto da Manaus Moderna, do Dnit, com R$ 916 milhões, 38 mil metros quadrados e prazo de 24 meses. Quem embarca ali até 2028 vai encontrar a orla em obra.

Porto da Ceasa, em Manaus, visto do rio Negro, com balsas e empurradores atracados na margem e casas e mata ao fundo, em janeiro de 2017
Porto da Ceasa, de onde sai a balsa para o Careiro da Várzea, em janeiro de 2017.

O porto da Ceasa atende a travessia para o Careiro da Várzea, caminho de quem segue de carro pela BR-319. Segundo a Arsepam, as balsas tinham 15 horários de saída de cada lado no começo de 2026, e o chamamento da Antaq, de fevereiro, exige do novo operador ao menos 17 viagens por sentido, a primeira às 3h45. Já os passeios de lancha para praias do rio Negro, como o Tupé, saem da Marina do Davi, na Ponta Negra, e estão no guia de passeios em Manaus.

Para onde saem os barcos do Roadway

Do Roadway saem cerca de 60 embarcações em linha regular, pela lista de linhas da SNPH publicada em 2026. O maior grupo sobe o Solimões: 15 barcos têm Tabatinga (AM) como destino final, com paradas em Fonte Boa, Santo Antônio do Içá e Benjamin Constant, e outros seguem para Coari, Codajás e Tefé (AM). Há linhas para Maués (AM), com parada em Itacoatiara, para Barreirinha e Boa Vista do Ramos, para Parintins (AM) e, rio abaixo, para Santarém (PA), Óbidos, Monte Alegre e Belém (PA).

A mesma lista registra a maior parte das saídas ao meio-dia: 35 dos 59 horários legíveis no documento. As linhas para Santarém e Belém aparecem entre 10h e 11h, e algumas de Maués às 17h. Horário de barco no Amazonas muda com a embarcação e com o rio, e vale o que está no bilhete. Em 21 de outubro de 2026, a Yjara Viagens vendia o ferry de Manaus a Santarém por R$ 150 no Pix, com saída em 24 de outubro, e a lancha para Parintins por R$ 350 no Pix; tempo e preço dessa rota estão no texto sobre como ir de Manaus a Parintins.

Gráfico de barras com os passageiros da navegação regional no Porto de Manaus em cada mês de 2025: junho tem 12.554, dezembro 8.771, janeiro 8.167 e os demais meses ficam entre 4.751 e 6.887
Passageiros da navegação regional por mês no Porto de Manaus em 2025, pelo relatório da SNPH.

O movimento do Roadway tem dois picos. No relatório de passageiros da SNPH, junho de 2025 teve 12.554 passageiros da navegação regional, por causa do festival, e dezembro e janeiro passaram de 8 mil, com as festas e as férias; os outros meses ficaram entre 4.751 e 6.887. Em 2026, de janeiro a julho, foram 46.143, com junho em 12.002. Os números são pequenos perto do 1,66 milhão de passageiros por ano que a Antaq contou nas linhas estaduais do Amazonas no estudo de 2017, e combinam com o Plano Mestre, que apontava a Manaus Moderna como origem da maior parte das linhas intermunicipais.

Qual o valor para entrar no Porto de Manaus?

Quem embarca não paga entrada à parte: a taxa de embarque de R$ 12 da navegação regional já vem no bilhete, discriminada. Quem só acompanha um passageiro até o barco paga para entrar, e quem chega de carro paga o acesso do veículo, pelos valores máximos da tabela da Estação Hidroviária do Amazonas, em vigor desde 8 de junho de 2025.

Serviço no RoadwayValor
Embarque na navegação regional, já no bilheteR$ 12
Entrada de quem não vai viajarR$ 12
Passageiro de turismo internacionalR$ 320
Entrada de carro, por acessoR$ 60
Embarque de automóvel no barcoR$ 217
Valores máximos por pessoa ou por veículo, tabela da Estação Hidroviária do Amazonas com vigência a partir de 08/06/2025.

A cobrança é a queixa que mais se repete nas avaliações públicas do porto, e duas situações pegam o viajante de surpresa. Quem sai da área de embarque e volta paga a entrada de novo, a menos que esteja com a passagem na mão. Os carregadores que levam a bagagem até o barco cobram à parte, sem tabela: combine o preço antes de entregar a mala. No novo porto da Manaus Moderna, segundo o Dnit, a entrada vai ser gratuita.

Como é o embarque no Roadway com as regras de 2026

Desde 24 de abril de 2026, o passageiro espera no salão do Terminal Hidroviário até o embarque ser anunciado no som e nas telas, faz o check-in e só então desce à plataforma, com o bilhete em mãos. As regras foram anunciadas pelo perfil oficial do porto no Instagram em 13 de março e detalhadas pela Rios de Notícias em 26 de março. Ficou proibida a circulação nas áreas de cais fora dos horários de embarque e desembarque.

A mudança que mais afeta quem se atrasa é o fim do contrabordo, a prática de alcançar de canoa ou lancha um barco que já soltou do cais. Barco que saiu não espera passageiro atrasado, e chegar ao porto com folga antes do horário do bilhete passou a ser regra, não cuidado extra. O salão de espera é climatizado e tem assentos, o que torna a antecedência menos penosa.

Nas avaliações, duas observações aparecem com frequência e mudam o preparo do embarque. A primeira: com dezenas de barcos atracados, o jeito de achar o seu é saber o nome da embarcação e confirmar o flutuante com o funcionário do terminal, porque há relatos de informação desencontrada. A segunda: o caminho até o barco é longo, com rampa e trechos irregulares que pioram na seca, e quem tem mobilidade reduzida ou bagagem pesada precisa contar com ajuda.

Embarque de equipe sem perder o barco

Para uma equipe que vai trabalhar no interior, o embarque junta tudo o que está acima: o ponto certo da orla, o bilhete com o nome de cada pessoa, a chegada antes do check-in, a carga que vai junto e o plano B se o rio mudar o horário. A gestão de viagens corporativas da Mabtour cuida disso a partir de Manaus, com passagem de barco ou de lancha, fretamento, transfer até o porto e plantão para quando a viagem sai do roteiro.

Se a sua equipe tem embarque marcado para Tefé, Tabatinga, Maués ou Parintins, fale com a gente e a Mabtour monta a ida com o terminal, o horário e o transporte até o cais já conferidos, como parte da logística de equipes para o interior.

Créditos das imagens: capa, cais flutuante do Porto de Manaus visto do rio Negro, foto de James Martins, de janeiro de 2009, via Wikimedia Commons, licença CC BY 3.0, recortada e com cor ajustada; porto da Ceasa, foto de Marcelo Camargo/Agência Brasil, de janeiro de 2017, via Wikimedia Commons, licença CC BY 3.0 BR, recortada e com cor ajustada; gráfico de passageiros por mês feito pela Mabtour com os dados da SNPH.

Fontes consultadas em 21/10/2026: Porto de Manaus (história, nível do rio Negro e tabela de preços da Estação Hidroviária do Amazonas, vigência de 08/06/2025); SNPH, relatório de passageiros da navegação regional de 2019 a julho de 2026 e lista de linhas regulares do Porto de Manaus; Ministério da Infraestrutura, 31/07/2019; Plano Mestre do Porto de Manaus, 2013; g1 AM, 30/09/2026; Rios de Notícias, 26/03/2026; Rádio Rio Mar, 24/02/2026; Yjara Viagens, ofertas de 21/10/2026. Horário e preço de barco e de lancha mudam sem aviso: confirme com a empresa na hora da compra.

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